Se eu soubesse, nunca teria saido de casa naquela manhã. Nunca teria faltado às aulas. Nunca o teria acompanhado até casa.
Sentou-se e assim permaneceu, sem musica, sem tv. Estava apenas ali a contemplar o vazio. Porreiro. Subi as escadas e entrei na porta preta adornada com caveiras, peguei no isqueiro amarelo e acendi um cigarro. Que bem que sabia. Senti o perfume dele a invadir o quarto e virei-me na sua direcção. Estava com uma expressão transtornada, quase sombria, os seus olhos estavam distantes, vidrados. O meu coração começou a bater a mil. Sai, sai, sai. Mas as minhas pernas não se mexeram.
-Eu quero-te Fi. Agora. - que queria ele dizer? Eu estava ali. Chegou mais perto e beijou-me. Foi um beijo frio, desesperado. Assustou-me. Apertou-me contra ele e deitou-me na enorme cama branca. E eu nunca, nunca pensei que fosse passar por algo assim em toda a minha vida.